segunda-feira, 20 de junho de 2016

Observação de aves no RVS Banhado dos Pachecos

          Seguindo o cronograma mensal de saídas para observação de aves do COA Vales, neste sábado estivemos no Refúgio da Vida Silvestre do Banhado dos Pachecos - RVSBP. O refúgio está localizado no município de Viamão, no distrito de Águas Claras. O Refúgio possui área de 2.543,4662 hectares apresentando alta biodiversidade da flora e da fauna, sendo o único local do Estado onde registra-se a ocorrência do cervo do pantanal. O Refúgio também possui uma rica diversidade de aves, cerca de 240 segundo o Gestor André, merecendo destaque o Xanthopsar flavus (veste amarela), Xolmis dominicanus (noivinha de rabo preto), Hydropsalis anomala (curiango do banhado) e o Netta peposaca (marrecão). Os integrantes que participaram desta saída foram o Alexandre Picoli, André Picoli, Astor Gabriel, Carlos Kuhn, Cleberton Bianchini, Morci Schmidt e Samuel Oliveira, além destes, a Luciane e o Alexssandtro Mohr estavam no banhado realizando os trabalhos do Doutorado da Luciane.
           Nosso dia começou cedinho, preparamos um mate e tascamos o pé na estrada. Sabíamos e confiávamos que o dia nos traria fortes emoções, mas começou mais cedo do que pensávamos. Samuel esqueceu de abastecer o carro no dia anterior, sendo que o mesmo chegou em Lajeado andando somente com o cheiro da gasolina e quase ficamos sem combustível na BR 386. Descobrimos que não é fácil encontrar posto de combustível aberto antes das 6h da manhã. Resolvido o problema, seguimos. A madrugada tinha muita neblina, muita mesmo, mas a esperança de um dia bom nos enchia o coração de alegria.
Figura 1: O dia começou feio, gelado e com muita neblina, muita mesmo. Foto: Cleberton
          Como pode ser observado na figura acima, o dia começou cheio de neblina. Mas estávamos confiantes que tudo ficaria bem e que teríamos um dia maravilhoso. Chegamos na sede do RVSBP por volta das 7h30min. Conhecemos o Gestor André e conversamos um pouco a respeito do Refúgio, das atividades que estão acontecendo, das ações futuras e também dos projetos de pesquisa que estão acontecendo no local. André também comentou sobre as dificuldades que enfrentam no dia a dia e falou um pouquinho sobre o Plano de Manejo do Refúgio que está sendo elaborado.
Figura 2: Olha o sol ali no cantinho, vai sair, vai sair. Foto: Cleberton
           Chegamos no campo por volta de 8h. Contornando a barragem percebemos que o nível da água estava bastante abaixo do normal, André comentou que isso se deve ao fato da realização de manutenção nas comportas. Nos preparamos e começamos a andar pela trilha da Taipa. Logo de cara, avistamos inúmeras espécies na água e margem da mesma. A bicharada estava enlouquecida cantando.
Figura 3: Bando de andorinha sobre branco (Tachycineta leucorrhoa) aproveitando o poleiro emergido das águas. Foto: Cleberton


          Enquanto o sol não saia, o vento e a baixa temperatura pareciam cortar até a alma do vivente. Nada que abalasse nossa alegria de estarmos ali. No início da trilha avistamos gaviões caboclos (Heterospizias medirionalis), andorinhas de sobre branco (Tachycineta leucorrhoa), garça branca grande (Ardea alba), pé vermelho (Amazonetta brasiliensis), tapicuru de cara pelada (Phimosus infuscatus), irerê (Dendrocygna viduata) e um indivíduo de mergulhão grande (Podicephorus major).
Figura 4: Estávamos confiantes que seria um dia lindo e proveitoso, logo no início da trilha da taipa, a neblina nos apresentou um céu azul e que seria questão de tempo até o sol aparecer.
Figura 5: Esse deu um show e permitiu fotos muito boas, João pobre (Serpophaga nigricans). Foto: Cleberton
           Seguimos mais um pouco e elas continuavam aparecendo, joão pobre (Serpophaga nigricans), viuvinha de óculos (Hymenops perspicillatus), sargento (Agelasticus thilius), gavião do banhado (Circus buffoni), urubu de cabeça amarela (Cathartes burrovianus) e urubu de cabeça vermelha (Cathartes aura).
Figura 6: Grata surpresa com a neblina ainda persistindo, viuvinha de óculos (Hymenops perspicillatus). Foto: Cleberton
           E a trilha não parava de surpreender. De repente aparece o amarelinho do junco (Pseudocolopteryx flaviventris) para a alegria do pessoal. Tentamos fazer fotos, e continuamos tentando pois o fulano é muito ativo. Mas, para nossa surpresa, canta o papa piri (Tachuris rubrigastra) a cerca de dois metros atrás do amarelinho do junco. Neste momento a euforia tomou conta do pessoal. O bichano realmente é lindo, de encher os olhos.
Figura 7: Pessoal fotografando o amarelinho do junco. Foto: Cleberton
Figura 8: Lindo encontro com este fulano, todos ficaram muito felizes, Papa piri (Tachuris rubrigastra). Foto: Alexandre Picoli.

Figura 9: E mais uma surpresa apareceu, joão da palha (Limnornis curvirostris). Foto: Carlos Kuhn

Figura 10: Na volta da trilha da taipa o sol surgiu, aqueceu e contribuiu para que o dia ficasse ainda mais espetacular.
Figura 11: Garça branca grande se aquecendo ao sol.
          Retornamos ao início da trilha da taipa por volta das 12h30min, encontramos o Alexssandro e a Luciane por ali, almoçamos e ficamos curtindo o sol por alguns minutos. Depois, caminhamos um pouco na estrada e avistamos uns garibaldis (Chrysomus ruficapillus), um casal de coleirinho do brejo (Sporophila collaris), um indivíduo de frango d´água carijó (Gallinula melanops) e também 6 indivíduos da noivinha de rabo preto (Xolmis dominicanus).

Figura 12: Noivinha de rabo preto (Xolmis dominicanus) dando ar da graça. Foto: Samuel
           Após caminhada na estrada seguimos para a sede do Refúgio e fizemos a trilha do Cervo. Esta trilha tem cerca de 2 km de extensão. A trilha passa por mata paludosa e áreas de restinga. A trilha inicia com um visual incrível do refúgio.
Figura 13: Integrantes do COA Vales que participaram da saída de observação. Foto: Germano
Figura 14: Visual do início da trilha do cervo. Foto: Cleberton
Figura 15: Trilha do cervo. Foto: Cleberton
          Seguimos pela trilha caminhando e observando o que aparecia. Mas, nessas andanças de observação de aves, às vezes aparece coisa inusitada que não tem nada a ver com passarinho que vale muito o momento. Desta vez, uma mãe bugio passeava tranquilamente com seu filhote pela copa de uma árvore. Geralmente somos observadores, mas desta vez, fomos observados. Observados por uma mãe bugiu e seu lindo e curioso filhote.

Figura 16: Mãe bugio observando humanos com seu filhote. Foto: Cleberton
Figura 17: Descanso para apreciação da vista. Foto: Cleberton
          No finalzinho da trilha ainda tivemos mais uma surpresa, avistamos um fantasma. O fantasminha é muito mais escutado do que visto, mas desta vez ele se exibiu (um pouco embretado) mas o suficiente para satisfazer nossos olhos.

Figura 18: Saci (Tapera naevia) aparecendo para alegria geral da moçada. Foto: Cleberton
          Então, após sairmos da trilha do cervo, deixamos também o RVS do Banhado dos Pachecos. Para finalizar, contornamos a barragem e voltamos pela estrada onde havíamos avistado as noivinhas de rabo preto pelo meio dia. Encontramos mais de uma dúzia delas no mesmo local. Neste instante, também sobrevoaram sobre nós, um bando de sete veste amarela (Xanthopsar flavus). Estas duas espécies estão ameaçadas de extinção no Estado e foi muito bom encontrá-las. Ambas estão por lá nesta época do ano.
           Após um dia maravilhoso no local, seguimos para nossas casas com o sol ainda descendo no céu.
Figura 19: Pôr do sol na viagem. Foto: Cleberton
          O dia foi fantástico e rendeu muita coisa boa, além da enorme quantidade de aves que avistamos no RVS do Banhado dos Pachecos. Começamos o dia com fortes emoções com o medo de faltar combustível, conhecemos o Refúgio e alguns funcionários que lá trabalham, soubemos um pouco das atividades e ações que estão acontecendo por lá, passamos um pouco de frio, nos divertimos e reenergizamos a alma.
          Ao final do dia, a lista de aves observadas chegou a 104 espécies. A mesma pode ser conferida aqui.

Nos vemos na próxima. Até lá

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