domingo, 23 de abril de 2017

Observação de aves no Viaduto 13 - Vespasiano Correa

           Acordamos cedinho no sábado do feriado de Páscoa e seguimos para Vespasiano Correa. Saímos (eu, Samuel, Alexandre e André) de Lajeado por volta de 5h30min, encontramos o Astor em Arroio do Meio e seguimos para o Viaduto 13 (V13). Chegamos ao destino por volta de 7h da manhã, sendo que havia um pouco de neblina neste momento.
Figura 1: Vista do vale do Rio Guaporé com um pouco de neblina na chegada. Foto de Cleberton Bianchini.
          Deixamos o carro na entrada da estradinha que leva até o V13 e começamos a caminhada. A estrada havia sido patrolada a poucos dias e estava bem aberta. Logo na subida encontramos o Turdus rufiventris (sabiá laranjeira), Turdus albicolis (sabiá coleira), Saltator maxillosus (bico grosso), entre outros fulanos vocalizando em uma figueira com sementes. Seguimos o baile e a bicharada foi aparecendo, Sittasomus griseicapillus (arapaçu verde), Dendrocolaptes platyrostris (arapaçu grande), Chamaeza campanisona (tovaca campainha), Scytalopus speluncae (tapaculo preto), e outros tantos. Percebemos que a uva japonesa, apesar de ser exótica, acaba se tornando uma referência dentro da vegetação, pois inúmeras espécies de aves acabam se alimentando das frutinhas neste período.
          Seguimos caminhando e, de repente, começa uma algazarra no mato. Era um bando de macacos prego circulando nas árvores de um lado para outro. Ficamos observando por uns instantes, pois não é todo dia que encontramos estes fulanos em ambiente natural.
Figura 2: Vista geral de um determinado seguimento do local. Fotografia de Cleberton Bianchini.
          Continuamos a caminhada e nos deparamos com um canto muito legal e que fazia dias que não escutávamos. Tratava-se do Micrastur ruficollis (falcão caburé). Seguimos bem quietos para tentar avistá-lo, mas não teve jeito, o fulano nos avistou antes e não escutamos mais e não tivemos a sorte de avistá-lo. Mas valeu o encontro. Na sequência também escutamos o Piculus aurulentos (pica pau dourado) e o Triclaria malachitacea (sabiá cica) e avistamos a Haplospiza unicolor (cigarra bambu), Euphonia chalybea (cais cais) e o Pyrrhocoma ruficeps (cabecinha castanha).
Figura 3: Conopophaga lineata (chupa dente) dando mole para fotografia. Foto de Cleberton Bianchini.

Figura 4: Haplospiza unicolor (cigarra bambu) cantando muito. Foto de Cleberton Bianchini.

Figura 5: O Trogon surucura (surucuá variado) fazendo jus ao nome popular de dorminhoco no interior do RS. Foto de Cleberton Bianchini
Figura 6: Platyrinchus mystaceus (patinho). Fotografia de Samuel Oliveira.
           Andamos por aproximadamente 3,5 km pela estrada, então resolvemos voltar. No caminho de volta ainda observamos diversas espécies, como o Pachyramphus castaneus (caneleiro), Hemithraupis guira (saíra de papo preto), Cacicus chrysopterus (tecelão) entre outras espécies. No último trecho do retorno encontramos uma grata surpresa. Escutamos e avistamos o Phyllomyias burmeisteri (piolhinho chiador). O bichano cantava logo no início da trilha, em local com vegetação em regeneração próximo a um pequeno riacho. Avistamos ele e colocamos o playback para confirmar a espécie. Permitiu algumas fotografias para os mais rápidos no gatilho.
Figura 7: Phyllomyias burmeisteri (piolhinho chiador) avistado no final da trilha, sendo uma grata surpresa para o vale. Foto de Cleberton Bianchini.
          Neste trecho que percorremos, o caminho apresenta locais com vegetação em regeneração (com aproximadamente 15 a 20 anos de recuperação), locais com vegetação mais bonita e alguns pequenos trechos de vegetação imponente, com árvores altas e um sub-bosque bem formado. A estrada é pouco utilizada e apresenta boas oportunidades de avistamento de espécies.

Figura 8: Participantes da saída, seguindo da frente para os fundos, André, Alexandre, Samuel, Astor e Cleberton. Fotografia de Cleberton Bianchini.
           Na volta ainda demos uma passada no V13, pois alguns participantes da saída ainda não conheciam o local. O viaduto possui 143 metros de altura, na parte mais alta, sendo o mais alto da América Latina. A circulação de trens é somente com carga, mas tem projeto em andamento para a utilização de trem de turismo no local.
Figura 9: Participantes conhecendo o V13.
           O destaque do dia ficou por conta do encontro com o Phyllomyias burmeisteri (piolhinho chiador). Também merecem destaque o encontro de quatro espécies de arapaçus, Sittasomus griseicapillus (arapaçu verde), Dendrocolaptes platyrostris (arapaçu grande), Xiphorhynchus fuscus (arapaçu rajado) e Lepidocolaptes falcinellus (arapaçu escamado do sul). Além do encontro com o Micrastur ruficollis (falcão caburé), Piculus aurulentos (pica pau dourado), Triclaria malachitacea (sabiá cica) e do Euphonia chalybea (cais cais).
           A lista completa das espécies avistadas no dia pode ser conferida aqui.  O local apresenta infraestrutura para receber visitantes, podendo ficar na pousada Eco Refúgio Explorer.       

Obrigado pela companhia amigos, nos vemos na próxima.

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