PARTICIPAÇÃO DO COA VALES NO FESTIVAL DO FESTIVAL DO PAPAGAIO CHARÃO E PAPAGAIO DO PEITO ROXO


    Nem o frio e nem a distância foram capazes de inibir o ímpeto dos integrantes do Coa Vales de participarem do Festival do Papagaio Charão e do Peito Roxo, ocorrido na cidade mais fria do Brasil. Antes do raiar do sol do dia 21 de abril, já estávamos na estrada, rumando a Urupema - SC. Junto com as bagagens, nos acompanhava a expectativa de muitos lifers, ou pelo menos, de novas histórias.

Autor: Mateus Lorenzon 

    

    Chegamos na cidade catarinense próximo ao meio dia. Tão logo almoçamos no centro da pacata cidade, saímos em busca do que nos une: a vontade de observar e fotografar pássaros. O primeiro ponto visitado foi o Morro das Antenas, de onde conseguimos uma bela vista dos vales da Serra Catarinense. O vento gelado e um sol tímido fizeram com que neste dia os pássaros ficassem acanhados. Mesmo que a lista da tarde não tenha um número elevado de espécies, avistamos o Peito-Pinhão (Castanozoster thoracicus), espécie endêmica das Serras Altas do Brasil Meridional.  

Autor: Elise


    No final da tarde, juntamente com os demais observadores presentes no Festival dos Papagaios, nos dirigimos para a Estrada da Bossoroca, onde, maravilhados, observamos a revoada dos Papagaios Charão. O momento, além do sentimento indescritível, gerou belos registros. Como nem só de passarinhos vivem os observadores, finalizamos nosso primeiro dia em terras catarinenses experimentando um saboroso entrevero de pinhão servido pelos organizadores do evento e com uma boa conversa ao redor da lareira. 

    A gélida noite catarinense serviu para nos revigorar fisicamente e nos encher de expectativas em relação ao próximo dia. Seguindo a regra do bom passarinheiro, no dia 22 de abril, levantamos cedinho, dispostos a encarar o frio em busca de novos registros. Após um rápido café, nos deslocamos para a Eco Pousada Rio dos Touros.

    Já na chegada da propriedade, um Sanhaço-Frade (Stephanophorus diadematus) e um Jacuaçu (Penelope obscura) desinibido permitiu belos registros. Estávamos ansiosos para observar pássaros no comedouro existente ao lado da casa principal da pousada. Inicialmente, parecia que nossa expectativa de fotografar o Sanhaço-de-Fogo (Piranga flava) não iria se realizar. Foi um longo período de espera até que, no galho de uma araucária, avistamos um ponto carmim. Em seguida, o pouso no comedouro e o deleite dos observadores. Mesmo que permanecendo brevemente no local, foi o suficiente para conseguirmos alguns registros. No mesmo local pousaram um Bico-grosso (Saltator maxillosus) e uma Tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis) que mostrou-se muito disposta a ser fotografada, possibilitando belas imagens com suas penas verdes e avermelhadas à luz do sol. 

    Após, realizamos uma trilha em meio a área de mata de propriedade, chegando a um campo aberto existente no topo de um morro na propriedade. Novamente, o frio e o vento gelado pareciam não estar favorecendo nossa atividade, já que as aves permaneceram silenciosas e ocultas em meio a vegetação. O grande destaque da manhã foi o Pedreiro, outra espécie endêmica das regiões altas do Sul do Brasil. 

    Em busca das águias e de ampliar a lista de espécies observadas, fomos em direção ao Morro do Combate. O local recebe este nome pois em 1927 foi palco de uma batalha entre forças federalistas de Leonel Rocha e a Força Pública de Santa Catarina.  Não conseguimos o registro das águias e falcões que almejávamos, mas avistamos a ameaçada Noivinha-de-Rabo-Preto (Heteroxolmis dominicana) e um grupo de papagaios alimentando-se em uma araucária. Como aproximava-se do meio dia, voltamos ao centro da cidade, a fim de conhecer algumas outras iguarias gastronômicas da região, como o Pastel de Pinhão, a Rosca da Coalhada e a famosa Bijajica.

    À tarde, empreendemos uma busca ao Estalinho - ave endêmica da Mata Atlântica e que pode ser encontrada em serras e locais de altitude, no Morro das Antenas. Mesmo ouvindo um breve canto e avistando-o, não conseguimos o registro. Ao final da tarde, novamente nos deslocamos à Estrada da Bossoroca, a fim de registrar o inebriante espetáculo das revoadas de Papagaio-Charão (Amazona pretrei) e Papagaio de Peito Roxo (Amazona vinacea).

    Neste dia, nem o breu da noite impediu nossa busca por aves, pois, acompanhados pelo guia Raphael Zulianello e pelo observador André Azevedo (de Porto Alegre), fomos em busca de um registro dificílimo do Curiango-do-Banhado (Eleothreptus anomalus). Dizem que toda foto carrega consigo uma história lembrada por aqueles que participaram do momento. Sem dúvidas, o registro da espécie carregará consigo, não apenas uma narrativa, mas um misto de emoções e sentimentos indescritíveis. Foram aproximadamente 3 km percorridos nos campos catarinenses, envoltos pela escuridão da noite. Entre descidas e subidas íngremes, taipas e banhados, eis que o guia afirma ter visto olhos brilhantes no outro lado do banhado. Provavelmente seria o curiango, mas havia possibilidade de ser algum bacurau. A possíbilidade do encontro nos reanimou. Mais uma caminhada e o encontro aconteceu.


Autor: Cleberton Bianchini


    No retorno, ainda avistamos um Graxaim do Campo, mas a êxtase pelo encontro anterior e o cansaço físico nos impediu de nos atermos para melhores registros. De volta para a residência em que estávamos alojados, o único pensamento que nos pertencia era o de uma cama quentinha para uma boa noite de sono. 

    Então, raiou o sol, marcando o início de mais um dia e nós já estávamos em pé, arrumando as malas e nos preparando para mais uma saída. No terceiro e último dia de observação, nosso destino era a Fazenda do Barreiro. No entanto, antes disso, realizamos uma parada à beira da rodovia, para tentar fazer novos registros de um bando de Papagaios-Charão (Amazona pretrei) que aproveitavam o amanhecer para alimentar-se com pinhões. 

    Antes de chegar à sede da fazenda, uma nova parada. Nesta vez, para tentar avistar algumas águias. Ouvimos uma breve vocalização da Águia Cinzenta (Buteogallus coronatus), mas dessa vez, não conseguimos avistá-la. 

Autor: Astor Gabriel


    Na fazenda, realizamos uma caminhada, acompanhados do observador local Edilson Bianchini. O início da passarinha mostrou-se promissor, com belos registros do Coró Coró (Mesembrinibis cayennensis). No decorrer da caminhada em área de campo, a espécie que merece destaque foi o Caminheiro de Barriga Acanelada (Anthus hellmayri). O relatório das espécies que foram registrados pode ser conferido neste link.

    Mesmo que não tenhamos voltado com os ambicionados registros da Águia Cinzenta e da Águia Serrana, a possibilidade de observar as revoadas de papagaios já compensou a distância percorrida. Além disso, nem só de belos registros vivem os observadores de aves, mas também de boas conversas e novas experiências culturais e gastronômicas. 

    Para os passarinhadores que pretendem visitar a região, a Eco Pousada Rio dos Touros e a Fazenda Barreiro são excelentes locais para registrar espécies características da região serrana. No entanto, sugere-se contatar os proprietários para visitação desses locais, pois são propriedades particulares. O Morro do Combate e o Morro das Antenas são ótimos lugares públicos para observação, além de permitirem a apreciação de belas paisagens. Para o registro do Curiango-do-Banhado, a sugestão é contratar um guia local.


Relato escrito por Mateus Lorenzon



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