sábado, 22 de julho de 2017

Saídas Extras

Buenas amigos

Neste relato colocarei comentários breves sobre duas saídas que realizamos ainda no mês de Julho.

1° Relato:

          Recebemos a notícia de que a Columbina squammata (fogo apagou) fora vista no interior do município de Travesseiro. O amigo Pedro Sessegolo passou pelo antigo desvio do pedágio de Marques de Souza e parou para fazer umas fotos de um bando de Spinus magellanicus (pintassilgo) que estavam a beira da estrada. Neste momento escutou a Columbina squammata (fogo apagou), no entanto, não conseguiu fazer registro por que a mesma encontrava-se dentro de uma propriedade e não teve acesso. Informou-nos do acontecido e resolvemos conferir, na ânsia de encontrá-la aqui no vale do Taquari.
         Combinamos uma saída no domingo, dia 16 de julho, e fomos conferir. Estavam presentes o Alexandre, o André o Astor e este vivente que vos escreve. Chegamos ao local por volta de 7h30min, deixamos os veículos na estrada e começamos a caminhar pela estrada geral. A bicharada estava em alvoroço, prenunciando a virada do tempo.
          A observação foi feita, na maior parte do tempo, de dentro da estrada geral. Somente em dois momentos saímos desta para acessar duas propriedades, que conseguimos conversar com os proprietários para pedir permissão. Na primeira, caminhamos até o Rio Forqueta por um potreiro e pastagens para vacas leiteiras. Conseguimos chegar até a barranca e percebemos que não havia nada na Área de Preservação Permanente - APP além de gramíneas. Encontramos o proprietário e este reclamou que está perdendo áreas de terras para o Rio, quando ocorrem enchentes e inundações. Conversamos um pouco sobre alternativas e opções para tentar diminuir os processos erosivos na margem. Na segunda propriedade, caminhamos na borda da lavoura com um matinho, que alternava entre árvores nativas e exóticas (eucaliptos). Abaixo algumas excelentes fotos da saída, o Picoli é modesto.

Figura 1: Poospiza nigrorufa (Quem te vestiu). Fotografia de Alexandre Picoli.

Figura 2: Lochmias nematura (joão porca). Fotografia de Alexandre Picoli.

Figura 3: Spinus magellanicus (pintassilgo) fêmea. Fotografia de Alexandre Picoli.
Figura 4: Loucusporaves brasilis (cleberton bianchini), indivíduo macho, endêmico do RS. Fotografia de Alexandre Picoli.

        A observação da manhã durou em torno de 3 horas. Felizmente o dia foi muito proveito, observamos várias espécies. Vimos um casal de Cyanoloxia glaucocaerulea (azulinho) dar  show de exibição para fotos. O Lochmias nematura (joão porca) também foi exibicionista. Infelizmente não encontramos a espécie, objetivo da nossa saída, mas valeu a saída com os amigos. A lista completa das espécies observadas durante a manhã pode ser conferida aqui.


 2° Relato

          Desta vez, receberíamos a visita de uns observadores de São Leopoldo, no entanto, houve um imprevisto que não puderam vir. Resolvemos ir igual. Inicialmente, nossa saída de hoje (dia 22 de julho de 2017) estava marcada para acontecer no Morro Gaúcho, entretanto, descobrimos que haveria uma prova de caminhada de montanha e decidimos alterar o local. Optamos por conhecer o Morro do Paraglaider, em Encantado.
            Saímos de lajeado por volta de 6h30min, passamos em Arroio do Meio para Pegar o Morci, e tocamos para o local. Chegamos por volta de 7h e o vento frio cortava. A neblina também estava bem forte. Logo na chegada a bicharada estava bastante elétrica. Para começar o dia bem, o Tyranniscus burmeisteri (piolhinho chiador) veio nos receber e dar as boas vindas. É estranho pensar que não encontrávamos esta espécie até bem pouco tempo atrás, mas desde a saída para Vespasiano Côrrea, ela tem aparecido com frequência. Percebemos que os fulanos gostam da copa das árvores, pois sempre se encontram neste estrato. Da mesma forma, percebemos, em todas as vezes que avistamos a espécie, que sempre havia somente um indivíduo. Vamos acompanhando.
          Continuamos subindo o morro e a bicharada continuava ativa. Estávamos em local com plantação de eucalipto alternada com espaços com vegetação nativa. Em alguns pontos o eucalipto estava velho e o sub bosque estava bem formado. A medida que subíamos, a vegetação ficava mais bonita e não havia mais eucaliptos. No entanto, a medida que subíamos aumentava o vento e também a neblina.
            Chegamos ao topo com muito vento e uma densa neblina. Fomos nos mirantes, mas não conseguimos ver nada além de uma densa cortina de neblina. No entanto, o Stephanophorus diadematus (sanhaço frade) apareceu para nos encher de alegria e colorir nossos olhos. Lembramos que esta espécie é bem característica de área de altitude aqui no Vale do Taquari. Sempre que avistamos esta espécie, era em local elevado. Avistamos ela no topo do Morro Gaúcho em Arroio do Meio, no alto da trilha da Lagoa da Harmonia em Teutônia, na parte mais alta do Morro Lohmann em Roca Sales, e agora no topo do Morro do Paraglaider em Encantado.
            Depois disso, ainda caminhamos pelo topo até a outra face do morro. Avistamos o Carpornis cucullata (corocoxó), mais uma dupla de Stephanophorus diadematus (sanhaço frade), uma Drymophila malura (choquinha carijó) cantava logo abaixo e um Micrastur ruficollis (falcão caburé) se esguelava não muito longe de onde estávamos. Na descida, ainda avistamos novamente o Tyranniscus burmeisteri (piolhinho chiador) no mesmo local. Também avistamos uma bando, de aproximadamente 10 indivíduos, de Hemithraupis guira (saíra de papo preto).
Figura 5: Tyranniscus burmeisteri (piolhinho chiador). Fotografia de Alexandre Picoli
Figura 6: Xiphorhynchus fuscus (arapaçu rajado). Fotografia de Alexandre Picoli.

Figura 7: Manhã com um pouco de neblina, hehehe. Fotografia de Morci Schmidt.

           A saída foi bacana por que conhecemos mais um local com boas possibilidades de observação. O acesso é facilitado e não é muito longe, além de apresentar uma boa área de vegetação em boas condições. A lista completa das espécies que avistamos pode ser conferida aqui.

 A próxima saída será para o Vale do Rio Pardo, na Fazenda Lagoa do Coração, no município de Rio Pardo. O local é muito bacana e já realizamos uma saída ano passado para lá. O dia foi memorável. Mais informações podem ser obtidas no evento do Facebook.

Abraço
Até lá

4 comentários:

  1. Esqueceu de falar nos hábitos alimentares do indivíduo Loucoporavis brasilis que são xuxu, lima, ameixa e abacate, quando possível!

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  2. Show de bola!! Um dia espero conseguir acompanhar vocês numa indiada dessas!! Abração

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    1. Sinta-se convidado, quando quiser é só aparecer. Estamos organizando uma para o Piquiri, no interior de Encruzilhada do Sul, no início de outubro. Bora junto

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